sábado, 26 de dezembro de 2015

Minha Música



A música de todos os pelos
eriçando
ao entrelaçar os dedos.

Música do cheiro
dos seus cabelos e suor
da roupa molhada no chão

Música de respirar sem ar
na minha nuca,
som do peso do seu corpo,
feito para o meu

Música de mostrar,
todo o domingo preguiçoso,
som da nossa vida,
um para o outro.

A música de mexer
mingau na panela
de madrugada

Música do seu olhar,
me olhando,
sem dó. sem nada

A música de todos
os filmes
que não vimos juntos

A música da sua barba,
Arranhando meu rosto
Marcando meu corpo.

E toda a música,
que não escutamos
nos espera,
nos invoca

Talvez por isso,
esteja tão difícil
parar de cantar

...



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Cold Breeze





It was not the lack of thoughts, words, or inspiration.
It was just trying so hard…
in the wrong language.

When she found out, she had to make a big first effort to learn
how to express herself in a way
she was not used to.
With an accent that she couldn’t even pronounciate.
Like a complete stranger

doing something she did for all her life.

Suddenly the words flew like a waterfall.
She could feel a cold winter wind beat her in the face.
and that first feeling of distance getting smaller really quick
Untill it gave place to

proximity. Familiarity.
Home

And though, sometimes, she used the words in a wrong way,
or used the same words too many times
- because she didn’t possessed more words to say what she meant
or felt -
She was not intimidated,
Because poetry is not to be written right.

It is written to be wrong.

It is written ‘cause that waterfall had to leak.
It is written because she is in love in another language.
And being so,
how could she say this in her own?

Language.

The weirdest feeling took her:
She was still that lady writer.
The words were smiling at her again,
- playing like kids in the paper sheet -
as her fingers couldn’t stop typing.

And it was not the lack of thoughts.
It was the need of saying them to the rest of the world.
- and to him.

domingo, 23 de agosto de 2015

Aeroportos



Muitos cadernos em branco.
E a memória cheia de cenas de aeroporto que nunca aconteceram.

Tiro o pó das folhas.
Construo uma nova caixa.
Mas ainda guardo os mesmos, mesmos, desejos

Hoje entendo, aprendi o que é dor.
Ouço a voz dizendo dê meia-volta.
Ainda desobedeço – mas ouço.

Agora eu moro no aeroporto,
e o simbólico desejo de voar se tornou
uma casa e suas raízes.

Cuido pouco das crias
e de mim.
Olho meu pai e reconheço:
Ele não me ensinou como

os olhos no mapa e
é grande demais
para deixar tanta dor se apegar.
Mas hoje eu criei uma nova caixa.

E é apenas a primeira.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

horas vadias

São só três linhas e uma oitava acima
Aguardo nada, um gesto, corpo, são.
Foram duas horas e caíram doze grãos.

Tempo escorrendo, areia fina, vazia.
Horas amanhecidas, tiras de fita desalinhavadas.
não são nada.

quem diria que por entre estes dedos
um mundo não se deformou,
uma razão não deixou de ser,
um pulso não parou de bater,

Enquanto as horas vagas
passaram
por entre mim e você.




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HOJE

  ?

Esse é sempre um bom começo
pra jornada infinita
de um hoje

acordei num copo d'água,
batendo os braços, margem à margem,
da redondice do copo

(sem saber se na de lá ou na de cá)
descansei sob a luz da...
chuva

Precisei me lembrar de que isso é só mais uma brincadeira,
mais uma brincadeira,
pregada por esse hoje

estiquei meu corpo pelo asfalto,
lambi o chão
e já era noite

gosto de mel, açúcar, um tapete doce,
o chão duro desse dia
chicoteou meus dois joelhos

aprendi um novo chá,
desses quentes e densos
para quebrar a tensão/atenção

afinal, não há nada de errado
quando um hoje se prorroga
por dois dias e meio

...

é uma questão de ansiedade
uma saudade,
e um retorno

e quando você acorda,
de repente,
hoje já é amanhã.